quarta-feira, 25 de maio de 2016
CONTRADIÇÃO
A minha submissão
Foi imposta quando casei
Fui educada em casa
Para aprender as tarefas
Caseiras, as coisas do lar
Como me comportar
Como cozinhar gostoso
Como ser obediente
Como ser paciente
Não era dito que era para casar
Só agora descasada eu sei
Por quantas judiacões passei
Eu nunca desejei ser submissa
Mas, contra toda desobediência apanhei
Foi assim que conheci a ditadura machista
Estava sempre solitária
Não tive ninguém para ajudar
A quem contei dizia: menina isso passa
Eu era uma submissa baunilha
E não sabia de nada...
Separada fui viver minha vida
Encontrei uma outra vida
Chorei muito nas madrugadas solitárias
Me sentia eternamente sozinha
Quantos traumas na minha alma
Eu era ainda prisioneira do passado
Quanta ingratidão do tempo
De repente, no meu aniversário
Resolvi que precisava mudar
Me libertar das tormentas que não queria
Procurei infinitos caminhos
As estradas que encontrei era sem fim
Me angustiei muito, desesperada
De repente, algo em mim adorou a ternura
Dos homens elegantes
De repente, fiquei entediada
Algo em mim mudou com a devassidão
Dos homens profanos
De repente, fiquei entediada de novo
Sem explicação, certo dia sem registro da data
Ajoelhada para meditar me senti
Num estado de graça
Estranhamente assim descobri
Um outro tipo de submissão
Uma cena de novela mexicana
Uma atriz coadjuvante
Obedecia a um tal senhor
Que não se negava, cabisbaixa
Era de uma grandeza distinta
Como explicar não sabia
Submissão consentida
Foi o que ela disse: ao seu dispor
E se curvou gentilmente aos pés
Que contradição
Hoje busco um Senhor
Para me entregar submissa
Está muito complicado
Tenho encontrado
Muitos dominadores baunilhas
Esses tipos machistas já experimentei
E realmente não são praticantes
Do do que contemplo,
O verdadeiro e misterioso BDSM
Leopardo Dom
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