segunda-feira, 13 de junho de 2016
A BORBOLETA E A ESPERANÇA
Dia longo, quase sumi
Não foi esquecimento
Nem sempre foi possível
Controlar a ventania
Advinda do pensamento
Procurei entre as estantes
Só encontrei livros solitários
Prisioneiros daquele armário frio
Alguns já tinham lidos
As páginas marcadas de bolô
Denunciavam o abandono
Outros nunca lidos surpresos
Sorriam incrédulos ao me verem
Saudade não havia
Estavam mudos
Desconfiados
Todos maiores de idade
Órfãos da falta de tempo
Abandonados pelo seu dono
Já não tinham a quem servi
Quase chorando sentei-me
Sobre o assoalho envernizado
Folheando as páginas brancas
Atônito, descobrir que não haviam letras
Foram embora para bem longe
Foi o que me dissera a borboleta
Antes de fugir com a esperança
As únicas figuras que restavam
Entre aquelas páginas desérticas
Num passe de mágica
Entre um malgrado descuido voaram
Cantando e celebrando "bem-te-vi"...
Nunca mais voltaram
L🐅D
Leopardo Dom
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