domingo, 5 de junho de 2016
CANE SELVAGEM
Bata-me Senhor
Na minha cara atrevida
Tortura-me Senhor
Com a chibata comprida
Pisa-me Senhor
Com suas botas sujas
O cipó cru do mato
Rasgou o vento
Fazendo zummmm
Num golpe certeiro
Como faca feriu-me
As nádegas nuas
E as costas seminuas
Doeu-me as entranhas
Calei-me amordaçada
Pela cipoada ferina
Já não atrevia-me
A dizer mais nada
Não eram feitas de silêncio
As manchas tatuadas
Eram marcas de fogo
Daquelas mãos pesadas
Seus dedos longos
Enforcava-me o pescoço
Seus olhos dilatados
Sufocavam-me de medo
Bateu até a cane não resistir
L🐅D
Leopardo Dom
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